Clive Barker's Hellraiser: Revival chegou nesta quinta-feira, 8 de outubro, para PC, PlayStation 5, Xbox Series X|S e Nintendo Switch 2. O primeiro jogo solo de Hellraiser aposta em horror de sobrevivência em primeira pessoa, uma história nova no cânone da franquia e o retorno de Doug Bradley à voz de Pinhead.
O lançamento veio acompanhado de um trailer novo e de uma leva de análises que, de maneira bastante apropriada para Hellraiser, parecem divididas entre prazer e sofrimento.
Há um consenso razoavelmente claro sobre uma coisa: quase todo mundo reconhece que Revival entende a aparência e as obsessões do universo de Clive Barker. O desacordo começa quando é preciso realmente atravessar esse inferno com um controle na mão.
A crítica gosta muito mais do inferno do que do combate
A Bloody Disgusting destaca justamente o que o jogo não tenta suavizar: sexo, dor, mutilação e uma quantidade de gore que transforma boa parte do cenário em matéria orgânica. Para o veículo, essa falta de pudor ajuda Revival a parecer uma adaptação autenticamente comprometida com Hellraiser, em vez de simplesmente colocar Pinhead dentro de um survival horror genérico.
A GamesRadar seguiu uma linha parecida e deu quatro estrelas em cinco. A análise elogia o uso dos Cenobitas como forças misteriosas, a exploração do Labirinto, os poderes da Genesis Configuration e a forma como a história funciona como continuação espiritual dos primeiros filmes. O ponto fraco, novamente, é a ação: armas de fogo e combate corpo a corpo podem parecer leves demais.
A Fangoria também elogia a estética, a violência extrema, a presença de Doug Bradley e o modo como prazer e sofrimento continuam inseparáveis. Mas é bem menos gentil com a jogabilidade. A análise reclama de esquiva e giro rápido desajeitados, furtividade frustrante, gunplay sem impacto e personagens humanos pouco interessantes.
E aí existe o outro extremo. A Game Informer deu 4,5/10 e descreveu uma experiência prejudicada por bugs, problemas de áudio e legendas, mira ruim, IA inconsistente e uma economia de recursos que às vezes transforma dificuldade em irritação.
No lado oposto, a Insider Gaming deu 9/10 e tratou o jogo como uma das grandes surpresas do ano. A TheSixthAxis também foi muito positiva, destacando fidelidade à obra de Barker, violência sem concessões, design de áudio e a sensação de que o jogo pertence de fato à franquia.
Então qual é o consenso?
No fim do dia de lançamento, a fotografia dos agregadores era menos triunfal do que algumas das críticas mais entusiasmadas sugerem. As médias mudaram ao longo das horas e variavam por plataforma, mas levantamentos do dia colocavam Hellraiser: Revival aproximadamente na faixa dos 70 pontos. O OpenCritic aparecia perto de 75–76, com pouco mais de 60% dos críticos recomendando o jogo. No Metacritic, reportagens que acompanhavam as versões por plataforma mostravam o PS5 mais baixo, na casa dos 69, enquanto PC e Xbox apareciam por volta de 74.
Esses números ainda podem mudar conforme mais análises entram nos agregadores, então servem melhor como retrato da estreia do que como nota definitiva.
O consenso editorial é mais interessante do que a média: Hellraiser: Revival parece ter acertado exatamente aquilo que seria mais fácil errar. O mundo é grotesco, sexual, violento e reconhecivelmente de Barker. Pinhead continua sendo tratado mais como presença infernal do que como chefe de fase. O Labirinto impressiona. A Genesis Configuration dá ao jogo algumas de suas melhores ideias.
O problema é que, para chegar a essas partes, você precisa lutar, se esconder, administrar recursos e sobreviver a sistemas que uma parcela considerável da crítica considera bem menos refinados.
Talvez seja a primeira vez que um jogo recebe a crítica “a dor é ótima; os controles nem tanto” e isso soa completamente adequado à licença.
Fonte: Saber Interactive ↗



